{"id":1451,"date":"2019-02-23T20:23:58","date_gmt":"2019-02-23T23:23:58","guid":{"rendered":"http:\/\/notelhado.com.br\/?p=1451"},"modified":"2019-02-23T20:23:58","modified_gmt":"2019-02-23T23:23:58","slug":"para-pensar-em-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/notelhado.com.br\/index.php\/2019\/02\/23\/para-pensar-em-deus\/","title":{"rendered":"Para pensar em deus"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Muito se fala e se ouve falar de Deus. E h\u00e1 muitos deuses conhecidos ou, se voc\u00ea preferir, h\u00e1 muitos deuses reconhecidos. Pensando a partir de nossos sentidos, h\u00e1 muitos deuses percebidos. O mundo est\u00e1 cheio deles. O mundo est\u00e1 cheio deles porque o mundo est\u00e1 cheio de homens e os homens precisam explicar o mundo. Como existem in\u00fameras coisas que n\u00e3o conseguimos explicar, compreender ou dar um significado, para estas coisas a categoria deus atende bem as demandas da alma humana.<\/p>\n<p>O conceito de deus frequentemente est\u00e1 atrelado a espiritualidade e a religi\u00e3o e esta, por sua vez, sempre foi objeto de estudo de diferentes pensadores. Durkheim, por exemplo, em seu trabalho, <em>As formas elementares da vida religiosa\u00b9,<\/em> sugere que a religi\u00e3o, de certa forma, cumpriria esse papel de explicar ou pelo menos dar algum significado ao mundo e com o avan\u00e7o da ci\u00eancia paulatinamente os homens iriam abandonando o misticismo buscando, assim, explica\u00e7\u00f5es baseadas no saber cient\u00edfico. O positivismo prop\u00f4s o cientificismo, concep\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica que afirma que a superioridade da ci\u00eancia sobre todas as outras formas de compreens\u00e3o e de saber humano da realidade \u2013 religi\u00e3o, filosofia, artes, etc. \u2013 por ser a \u00fanica capaz de apresentar benef\u00edcios pr\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Independentemente da discuss\u00e3o entre a ci\u00eancia e religi\u00e3o, a maioria das pessoas concordam que houve um in\u00edcio para tudo que existe. Tudo que podemos vislumbrar e tamb\u00e9m o que n\u00e3o podemos perceber, por algum motivo passou a existir a partir de um ponto. Existem diferentes teorias que defendem que o universo est\u00e1 em expans\u00e3o ou que a cria\u00e7\u00e3o \u00e9 definitiva, ou mesmo se existe uma cria\u00e7\u00e3o evolutiva, muito se tem falado a respeito do come\u00e7o de tudo, mas estas teorias n\u00e3o s\u00e3o nosso foco aqui. Para n\u00f3s, o que interesse, \u00e9 deixar claro que a ideia de um come\u00e7o \u00e9 corrente.<\/p>\n<p>Tendo isso em mente, gostaria de avan\u00e7ar com a ideia de que para tudo h\u00e1 um come\u00e7o. Bem, se h\u00e1 um in\u00edcio para tudo, se todas as coisas s\u00e3o geradas ou evoluem a partir de um ponto, este ponto inicial quero chamar aqui de \u201cfor\u00e7a criadora\u201d \u2013 Sei que aqui entramos em uma tautologia, porque de certa forma inclusive a for\u00e7a criadora teria uma outra for\u00e7a criadora, mas a fim de continuar a argumenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o divagarei sobre isso por um instante. Se existe uma compreens\u00e3o de que existiu um come\u00e7o para o universo, as proposi\u00e7\u00f5es que se seguem talvez n\u00e3o sejam restritas a ci\u00eancia ou a religi\u00e3o, mas, tamb\u00e9m, sejam mais de car\u00e1ter filos\u00f3fico. Se existiu uma for\u00e7a criadora que deu origem a tudo, pegando a ideia de outro lugar, podemos especular e nos perguntar se o que come\u00e7ou tudo \u00e9 quantitativamente maior ou qualitativamente superior ao efeito, ou seja o universo gerado.<\/p>\n<p>Um outro fator importante para falar da exist\u00eancia de uma for\u00e7a criadora \u00e9 a ang\u00fastia humana. Como j\u00e1 mencionei, parece ser uma caracter\u00edstica nossa querer dar sentido as coisas. Dar sentido, dar um significado seja l\u00e1 ao que for \u00e9 atribuir-lhe valor; imputar-lhe import\u00e2ncia.\u00a0 Assim, esse anseio por um sentido ontol\u00f3gico a vida, pode de alguma maneira revelar a exist\u00eancia de algo para al\u00e9m de n\u00f3s mesmos. Isto porque nossa finitude n\u00e3o nos satisfaz. Fica a d\u00favida se nos encerramos em n\u00f3s mesmos ou se fazemos parte de algo anterior e maior que n\u00f3s. Neste aspecto significamos o mundo para dar sentido a nossa pr\u00f3pria exist\u00eancia. Essa busca de sentido nada mais \u00e9 que uma busca de prop\u00f3sito, e, como disse algu\u00e9m em outro lugar, toda busca de prop\u00f3sito nada mais \u00e9, em resumo, que uma busca religiosa.<\/p>\n<p>A respeito da tautologia, a causa inicial tendo uma causa inicial, n\u00e3o seria justamente essa a grande for\u00e7a do fator causal primeiro? O fato de n\u00e3o ter sido gerado, ou seja; de sempre ter existido para al\u00e9m do que n\u00f3s categorizamos como sendo espa\u00e7o tempo. N\u00e3o \u00e9 isto que se quer denominar eternidade, algo que est\u00e1 fora dos limites do tempo e que n\u00e3o pode ser contido em nenhum espa\u00e7o, por\u00e9m tudo ocupa e transita no passado, presente e futuro. Este fator n\u00e3o poderia evocar para si o que o senso comum categoriza como deus? N\u00e3o seria este o Deus?<\/p>\n<p>Dada todas as proposi\u00e7\u00f5es, resta-nos saber como esse Deus deseja se relacionar com os homens. Se ele pode ser achado, ou se se permite descobrir. Resta saber se esse Deus interfere positiva ou negativamente na cria\u00e7\u00e3o ou se o universo segue seu curso livre sendo este Deus apenas um expectador. Resta saber se uma vez c\u00f4nscios de que existe um Deus e nisso tendo f\u00e9, o odiaremos ou o amaremos e que implica\u00e7\u00f5es essa busca ter\u00e1 em nossa exist\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por Edson Ciso<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Muito se fala e se ouve falar de Deus. 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